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segunda-feira, setembro 29, 2025

PORQUÊ Aristides de Sousa Mendes

In English below 

No passado dia 19 de julho de 2025 completaram-se 140 anos do nascimento de Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches (ASM) e surgiu mais um livro nas livrarias: Lina Alves Madeira,  «ARISTIDES DE SOUSA MENDES – Na Encruzilhada de uma Carreira», Ancora Editora 2025.

O livro de Lina Madeira tem uma abordagem  “pessoal” e opinativa à “personalidade” e vida de Aristides de Sousa Mendes. Fornece muita informação sobre o percurso familiar de Aristides e Angelina e sobre a sua formação, vida académica e carreira consular (O QUÊ, QUANDO e ONDE). Mas não nos diz PORQUÊ Sousa Mendes foi importante nem PORQUÊ nos devemos interessar pelos pormenores da sua vida, dos seus pais, dos seus avós e padrinhos, notas de exames, cartas privadas entre os gémeos César e Aristides, etc.

Poderá ser porque Aristides de Sousa Mendes teve a Coragem de seguir a sua Consciência e desobedecer  Circular 14 à injusta e inconstitucional e porque teve a Clareza de perceber que naquele momento estava numa posição Única para tentar "salvar todas aquelas pessoas cuja angústia era indescritível"?

As extraordinárias ações de salvamento de Aristides nos dias escuros do início da Segunda Guerra Mundial são apenas mencionadas de passagem, e geralmente com a sugestão de que não sejam excessivamente contabilizadas ou valorizadas (p. 27 “nem ser necessário contabilizar (os vistos) - vício constante da nossa cultura marcada pela estatística…”).

A relutância em discutir as ações de resgate de Aristides de Sousa Mendes e as vidas dos refugiados que salvou, na sua maioria judeus, num livro publicado agora em 2025, quando há muito mais informação disponível do que em 2014, é difícil de compreender ou aceitar. Sente-se a ausência de um prólogo adequado com algumas das informações verificadas até 2025.

Terminar com uma referência a pesquisas de outros autores sobre as vidas salvas, mas sem citar nem identificar a pesquisa ou os investigadores (“outros debruçaram-se sobre a questão…”) é poucochinho e insuficiente. Citar o Talmude (p. 379, “parafraseando o Talmude, quem salva uma vida salva o mundo”) surge apenas como uma curiosidade no final.

Numa perspectiva histórica, a autora ignora tanto o PORQUÊ do interesse em Aristides como o DEPOIS: O impacto bem documentado das enormes ações de salvamento de Sousa Mendes , que abriram o caminho para o refúgio em Portugal às milhares de famílias de refugiados que ele salvou. Ignora também o contributo dele em ajudar a restaurar a ESPERANÇA na resistência aos invasores nazis e na possibilidade de  encontrar segurança e liberdade mais além naqueles dias sombrios de 1940, quando tudo parecia perdido.

Que pena.

Em 1986, em New York, quando eu soube da ação de salvamento de Aristides pela primeira vez,  compreendi imediatamente a importância do seu impacto no contexto da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto. É por isso que tenho apoiado a causa de Sousa Mendes desde então e tenho ajudado na criação do museu Sousa Mendes em Cabanas de Viriato.  Isto é, para não falar do enorme orgulho e satisfação em  ajudar a restaurar o nome e a preservar o legado de um Herói Mundial cuja família teve origem na minha própria aldeia, Beijós, Beira Alta!

Mariana Abrantes

Beijós Carregal do Sal Portugal

29 de setembro de 2025

WHY Aristides 

On July 19, 2025, the 140th anniversary of the birth of Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches another book appeared in bookstores: Lina Alves Madeira, "ARISTIDES DE SOUSA MENDES – At the Crossroads of a Career," published by Ancora Editora 2025.

Lina Madeira's book takes a peculiar, "personal," and opinionated approach to the "personality" and life of Aristides de Sousa Mendes. It provides a wealth of information about Aristides and Angelina's family history, his education, academic life and consular career (WHAT, WHEN, and WHERE). But it doesn't tell us WHY Sousa Mendes was important or WHY we should be interested in the details of his life, his parents, grandparents, godparents, exam scores, private letters between the twins César and Aristides, etc.

Could it be because Aristides de Sousa Mendes had the Courage to follow his Conscience and disobey the unjust and unconstitutional Circular 14, and because he had the Clarity to realize that at that moment he was in a unique position to try to "save all those people whose anguish was indescribable"?

Aristides's extraordinary rescue actions in the dark dawn of World War II are mentioned only in passing, and usually with the suggestion that they not be overly counted or valued (p. 27 "nor is it necessary to count (the visas) - a constant vice of our culture marked by statistics...").

The reluctance to discuss Aristides de Sousa Mendes's rescue actions and the lives of the refugees he saved, most of them Jews, in a book published now in 2025, when much more information is available than in 2014 is difficult to understand or accept. One feels the absence of a proper prologue with some of the verified information up to 2025.

Ending with a reference to research by other authors on the lives saved, but without citing or identifying the research or researchers ("others have studied the issue...") is minimal and insufficient. Citing the Talmud (p. 379, "paraphrasing the Talmud, whoever saves a life saves the world") appears only as a curiosity at the end.

From a historical perspective, the author ignores the WHY of the interest in Aristides as well as the SO WHAT: the well-documented impact of Sousa Mendes's enormous rescue efforts, which paved the way for refuge in Portugal for the thousands of refugee families he saved. She also ignores his contribution in helping to restore HOPE in the resistance to the Nazi invaders and in the possibility of finding safety and freedom in those dark days of 1940, when all seemed lost.

What a pity.

In 1986, in New York, when I first learned of Aristides' rescue actions in Bordeaux, I immediately understood the importance of their impact in the context of World War II and the Holocaust. That's why I have supported the Sousa Mendes' cause ever since and have done what I could to help create the Sousa Mendes Museum in Cabanas de Viriato. Not to mention the immense pride and satisfaction in helping to restore the name and preserve the legacy of a World Hero whose family originated in my own village, Beijós, Beira Alta!

Mariana Abrantes

sábado, junho 17, 2023

The last surviving member of the the White Rose resistance circle that campaigned against the Hitler regime passed in 2023

The Sousa Mendes Foundation presented the important story of the White Rose movement who sought to mobilize the German people to resist the Nazi regime in  1943. 

 https://www.youtube.com/watch?v=XXHKCVB47Ug

TheWhite Rose circle sought to be the Conscience of the German people. 

Hans Scholl and his sister Sophie were Hitler Youth leaders from Ulm who were transformed into resistance leaders who wrote and distributed leaflets and were executed for it. 

Traute Lafrenz, the last of this  White Rose German resistance circle, died in March 2023, aged 103



terça-feira, abril 25, 2017

A historia de Aristides 1940 em terras do Tarrafal

Cinema luso-cabo-verdiano assinala 25 de Abril de 1974 em Cabo Verde com a história de Aristides de Sousa Mendes 1940

Cinema luso-cabo-verdiano assinala 25 de Abril de 1974 em Cabo Verde
A projecção do filme "Cônsul de Bordéus" e a apresentação da co-produção luso-cabo-verdiana "Os dois irmãos", que está a ser gravada em Cabo Verde, assinalam terça-feira, na cidade da Praia, o 43º aniversário da revolução de 25 de Abril.
Numa iniciativa do Centro Cultural Português na Praia, será exibido o filme "O Cônsul de Bordéus", baseado na vida de Aristides de Sousa Mendes e realizado por Francisco Manso e João Corrêa.
"O Cônsul de Bordéus" é protagonizado por Vítor Norte, no papel de Aristides de Sousa Mendes, o diplomata português que, à revelia de António de Oliveira Salazar, atribuiu cerca de 30 mil vistos a refugiados perseguidos pelo regime nazi, em 1940.
Será ainda apresentado o filme "Os dois irmãos", uma coprodução luso-cabo-verdiana do realizador Francisco Manso, baseada no livro com o mesmo nome do escritor cabo-verdiano Germano Almeida.
O filme, rodado em várias localidades do interior da ilha de Santiago, é totalmente interpretado por atores cabo-verdianos e conta com a banda sonora de Tito Paris.
Na apresentação, marcarão presença o realizador Francisco Manso e o escritor Germano Almeida.
Produzido pela Take 2000, o filme conta com financiamento do Governo cabo-verdiano, que acredita irá dar um importante contributo na promoção do país.
"Existe uma boa parceria entre os produtores, atores e cineastas portugueses e cabo-verdianos, e isso deixa uma escola, uma aprendizagem muito importante, além de ser a forma de conquistarmos palcos do cinema internacional", considerou na semana passada o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, durante uma visita ao local das gravações.