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quarta-feira, setembro 11, 2013

Casa de Sousa Mendes vai ter telhado novo


O presidente da Câmara de Carregal do Sal, Atílio dos Santos Nunes, congratulou-se por a situação da degradação da Casa do Passal ficar resolvida antes do fim do seu último mandato

A casa de Cabanas de Viriato, que pertenceu ao cônsul português Aristides de Sousa Mendes, vai em breve beneficiar de uma intervenção orçada em 360 mil euros, que evitará a sua ruína, foi hoje anunciado em Viseu.
Este é um dos oito projetos de recuperação de património que vão ser lançados este ano na Região Centro, apresentados pela Direção Regional de Cultura ao Programa Mais Centro, da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro, no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), que têm um valor total de 2,9 milhões de euros, dos quais 85% atribuídos pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
A diretora regional da Cultura, Celeste Amaro, explicou que as obras na Casa do Passal, situada em Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, vão durar dez meses, estando prevista "a reconstrução da cobertura, a recuperação do revestimento, a reabilitação das caixilharias e a execução de uma estrutura mista para imóvel".
Era na casa de Cabanas de Viriato que o antigo cônsul - que, em Bordéus, França, salvou milhares de refugiados do Holocausto, nos primeiros dias da ocupação alemã, na II Guerra Mundial - costumava passar férias na companhia dos 14 filhos e da primeira esposa, Angelina, tendo aí também vivido alguns anos antes da sua morte, com a segunda mulher, a francesa Andrée Cibial.
Chamada de "palácio" pelos habitantes mais antigos de Cabanas de Viriato, que se recordam dos seus tempos faustosos, a casa encontra-se em elevado estado de degradação, nunca tendo avançado os planos para a tornar num espaço de reposição da memória do diplomata e do seu feito.
O presidente da Câmara de Carregal do Sal, Atílio dos Santos Nunes, congratulou-se por a situação da degradação da Casa do Passal ficar resolvida antes do fim do seu último mandato.
"Este é um arranque, para depois continuar com as obras", frisou, considerando que era prioritário não deixar cair a casa de Aristides de Sousa Mendes, "que salvou muitos judeus e é falado em todo o mundo".
Segundo o autarca, a cobertura, que será a definitiva, manterá as mesmas características da atual e as águas pluviais serão encaminhadas para o exterior, para que não continuem as infiltrações.
O presidente da CCDR Centro, Pedro Saraiva, admitiu que a situação da Casa do Passal o indignava e que chegou a questionar "que sociedade é esta que coletivamente não conseguiu encontrar uma solução" que impedisse a degradação do edifício. 
Depois de Aristides de Sousa Mendes ter abandonado a casa, devido ao grande número de dívidas contraídas, esta foi adquirida em hasta pública por 200 contos, por credores e dois comerciantes que depois a venderam a uma pessoa de Coimbra, em 1970. Neste período chegou a albergar um aviário numa das suas alas.
Dez anos depois, foi vendida à sociedade Campos e Nunes, que urbanizou a parte da quinta envolvente ao gigante Cristo Rei, que Aristides de Sousa Mendes tinha mandado vir da Bélgica. A sociedade também tinha planos para a zona inferior, um processo que foi travado.
Mais tarde, com a entrada na sociedade de um arquiteto, surgiu o projeto de um hotel para o local, projeto que dividiu as opiniões.
Umas pessoas defendiam que era melhor um hotel do que um edifício degradado, enquanto outras consideravam que isso seria passar uma esponja na vida que Aristides de Sousa Mendes teve em Cabanas de Viriato.
Com a constituição da Fundação Aristides de Sousa Mendes, a casa e o que restava da quinta passou para a sua posse em março de 2001, graças ao apoio do então ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama.
Inicialmente, este dotou a fundação com 50 mil contos (250 mil euros), mas como a verba não chegava, reforçou o apoio com mais 60 mil contos (cerca de 300 mil euros).
O preço final da compra, de 128 mil contos (640 mil euros), integra os 15 mil contos (75 mil euros) da indemnização paga pelo Estado à família, que esta doou à fundação.
A Casa do Passal foi classificada Monumento Nacional em 2005.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa

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