Pesquisar neste blogue

A carregar...

Tradutor

domingo, julho 26, 2009

Visitas à Casa do Passal, 23-Julho (reportagem 2)

Ver também notícias no portal municipal http://www.carregal-digital.pt/
http://www.carregal-digital.pt/?lop=conteudo&op=37bc2f75bf1bcfe8450a1a41c200364c&id=51a472c08e21aef54ed749806e3e6490

Fonte: http://www.faroldanossaterra.com/?p=10670, 24 de Julho de 2009
Cabanas de Viriato – Ministro da Cultura visitou a casa de Aristides de Sousa Mendes e garantiu que há dinheiro para a recuperação

Ontem, 23 de Julho, mesmo dia em que o embaixador de Israel e o director regional da Direcção de Cultura do Centro visitaram, da parte da manhã, os locais de memória de Aristides de Sousa Mendes em Cabanas de Viriato, também o Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, fez idêntica visita, dessa vez, ao final da tarde.Todas as individualidades, autoridades e autarcas que acompanharam a visita do embaixador de Israel aguardavam a chegada, às 18h30, do ministro, acompanhado pelo governador civil de Viseu, Acácio Pinto, aos quais se juntaram ainda a presidente em exercício da Assembleia Municipal de Carregal do Sal, Maria Gracinda Aguiar, e o presidente da Junta de Freguesia de Cabanas de Viriato, Ricardo Nuno Campos.Foram dados iguais passos de visita aos locais de memória, com excepção da ida ao cemitério, dispensada pela demora na apreciação do que resta no interior da Casa do Passal, na ida ao Cristo-Rei e no encontro de trabalho na sala de reuniões da Junta de Freguesia, mas despertando já a presença de mais órgãos da comunicação social.

À chegada, frente à Casa do Passal, Pinto Ribeiro mostrou-se surpreendido com o estado ruinoso daquele edifício, interrogando em alta voz: “Por que é que isto ainda está assim?! É obrigatório honrar a memória de Aristides de Sousa Mendes, um homem que deu uma lição ao mundo de humanitarismo ao desprender-se da sua vida para salvar a de tantos outros, desobedecendo a ordens superiores e agindo conforme mandava a sua consciência!”.
Acto contínuo, lançou o repto ao director regional da Cultura, ao arquitecto, aos administradores da Fundação Aristides de Sousa Mendes e ao presidente da Câmara Municipal no sentido de se criar uma rede que encontre condições para o processo da recuperação da casa avançar o mais rápido possível, mostrando-se até admirado por o custo da obra se ficar apenas pelos dois milhões e meio de euros. Confirmando a necessidade de se pôr mãos à obra, apontou que aquela casa tem de ser um “centro de cultura humana, de qualidade que muito qualifica as pessoas, e o Governo não poderá ficar alheio à situação.”

Ante a forma decidida como o ministro declarou a sua predisposição para que a obra seja finalmente concretizada, o presidente da Câmara, Atílio dos Santos Nunes, abraçou-o e prometeu fazer o que estiver ao seu alcance.No encontro de trabalho, coube ao autarca carregalense dar as boas-vindas ao titular da pasta da Cultura e agradecer-lhe a visita.
Por sua vez, também Luís Humberto Fidalgo, vogal da Fundação Aristides de Sousa Mendes, agradeceu a visita, em nome da administração da Fundação. “É uma honra para Cabanas de Viriato e para a Fundação recebê-lo aqui e por ficarmos a saber que o Sr. Ministro reconhece a figura de Aristides de Sousa Mendes e que este nome diz muito ao Sr. Ministro”. A forma como o governante reagiu ao ver a casa não lhe passou despercebida: “Registamos com muito agrado a sua revolta e o seu grito do Ipiranga - Por que ainda está assim?”.

Demonstrando ser profundo conhecedor e admirador do acto de Aristides de Sousa Mendes, o ministro da Cultura enalteceu esse acto e declarou: “Há que aproveitar o que ainda existe de Aristides de Sousa Mendes para fazer um trabalho da recuperação desse património, sobretudo dos instrumentos dessa memória; há uma memória física, há uma casa, é preciso recuperá-la, mas esta memória física, esta casa, são instrumentos para outra memória, para uma memória das coisas imateriais, das coisas que são só memória, não são sequer pedras, não são casa, não são paredes, não são salas, é mesmo só memória, é a história de Aristides de Sousa Mendes, é contar o Aristides de Sousa Mendes, sobretudo o homem, a circunstância dele perante aquelas dificuldades, perante aquela questão que lhe foi colocada de passar vistos para atravessar Espanha para Portugal.
Os valores em função dos quais decidiu, aquilo que o fez fazer o que fez, mas sobretudo o que ele fez, independentemente do que o fez fazer, é um exemplo que nós devemos espalhar para que as pessoas percebam que não podemos ser cobardes, não podemos perante problemas dificílimos acobardar-nos, não podemos virar a cara quando os outros precisam da nossa ajuda, quando estão numa situação de dificuldade ou de risco e sacrifício”.

Apontou depois o “tempo de extraordinária crise” que atravessamos, “não económica e financeira, mas também de valores e de fragmentação das pessoas”, para acusar que “nós não somos sensíveis aos problemas e às adversidades dos outros”, contrapondo: “No momento em que tudo impelia a fechar os olhos, a cumprir ordens, a ser insensível, Aristides de Sousa Mendes, pelo contrário, foi sensível.
Trata-se de usar isto para restaurar a memória, não apenas para o conhecermos, mas sim para revitalizar essa memória”. Dito isto, afirmou que há uma necessidade “de regenerar este sistema de educação e este sistema de ensino de modo a que os valores do trabalho, da solidariedade, da igualdade sejam valorizados”.

Para Pinto Ribeiro, “Aristides de Sousa Mendes sempre teve a certeza que havia de vir um momento em que ele havia de ser lembrado, perceber que a vida é só vida física e que depois há uma vida em que a gente pode ser sempre lembrado pelos outros”. Ao referir isso, acentuou: “Ele tem de ficar na nossa memória e nós precisamos que ele fique na nossa memória, na memória de todos os portugueses e do mundo.
Pediu, então, aos intervenientes no processo, ali presentes, “que sejam empenhados, corajosos, que definam um objectivo e que cada um se comprometa a que não parará enquanto isto não estiver feito”, aconselhando-os a que o processo da reconstrução da casa se faça em rede, em conjunto e em entreajuda.
Por seu lado, prometeu: “Eu, o que posso fazer, é comprometer-me a dar ordens e espero que eles não desobedeçam, que as minhas ordens não sejam iníquas nem injustas, antes pelo contrário. Farei isso, apesar de não ter grande poder para dar ordens, mas acho que é uma obra extraordinária aquilo que se pode aqui fazer”.
Contando que a obra esteja pronta em 2012, mostrou-se convicto de que daqui a três anos já será feita na casa uma reunião igual àquela, rematando: “Faremos lá uma sessão igual a esta, com as mesmas pessoas”.

Maria Barroso, em jeito de encerramento da sessão, agradeceu a visita do ministro da Cultura: “Eu só tenho que agradecer ao Sr. Ministro por ter vindo aqui, cumprindo a sua palavra. Conhecendo como o conheço, não só pela sua estatura cívica, a sua estatura profissional, mas pela sua estatura moral, que é muito importante, eu tinha a certeza absoluta que vinha e ia dar um impulso a isto tudo”. Como presidente da Fundação, agradeceu-lhe também “a alma nova” que transmitiu a todos quantos ouviram as suas palavras de ânimo e esperança.

Recuperação da Casa do Passal
.
“Dinheiro há!”.. . disse o Ministro da Cultura
.
José Madeira, um dos cabanenses que assistiram à sessão de trabalho que fez deslocar o Ministro da Cultura a Cabanas de Viriato, no final da intervenção deste governante, interrogou-o se já havia dinheiro para a reconstrução da casa de Aristides de Sousa Mendes.
“Muitíssimo… só que ainda não passei o cheque!” - respondeu o ministro.Tal interpelação de um popular, natural de Cabanas de Viriato, evidenciava bem a desconfiança destas visitas perante as sucessivas desilusões das promessas que outros governantes ali deixaram, continuando a ver-se a casa a degradar-se dia a dia, de Inverno em Inverno, sempre com a ideia de que é a falta de dinheiro que impede o início das obras. Além disso, a proximidade das eleições legislativas e autárquicas foi comentada por alguns como aproveitamento político, o que acentuou essa desconfiança.
«Farol da Nossa Terra» interpelou Pinto Ribeiro a esse respeito:

P - Havia pessoas na reunião quem estavam à espera de ouvir dizer que já havia dinheiro para se avançar com a obra, mas parece que saíram defraudadas. O que é que o Sr. Ministro tem a dizer acerca disso?
R - “Não, não!… Aquilo que disse é que há dinheiro e haverá dinheiro, mas o dinheiro não é preciso hoje. Aquilo que vamos fazer agora é o projecto, rapidamente. Depois de fazer o projecto, antes de o apresentar, vamos fazer um entendimento com a Comissão de Coordenação Regional do Centro para que a gente veja a que programa do QREN vai apresentar isto para depois ser financiado. Há muito dinheiro para financiar isto. Vamos fazer com que isto seja financiado e vamos contribuir com a parte nacional para esse financiamento. O dinheiro há… Eu não trouxe foi um cheque para dar a ninguém, mas o dinheiro há, não têm que estar defraudados. Quem diz que isto vai e tem condições para acontecer não prega ali um cheque na porta. Ninguém faz isso. O dinheiro, no momento em que seja preciso, haverá. Já há, tem que ser afectado a isto. Não há nenhuma razão para se sentirem defraudados. Pelo contrário, têm é que se sentir mobilizados para assegurar que isto se faça“.

P - Sempre existiram vontades para avançar com a obra, mas o receio de que o dinheiro não apareça tem pesado mais. Não há, agora, razão para esse receio?
R - “Isso passa-se assim porque as pessoas fazem uma coisa que é, a meu ver, um grande erro. As pessoas só dão o primeiro passo depois de terem a certeza de que tudo o mais está assegurado. É um erro, as pessoas têm que dar é o primeiro passo, e quando derem o primeiro, o segundo e o terceiro, há o dinheiro, há as pessoas, há tudo. O erro é as pessoas não começarem a dar. Se ficam à espera que esteja tudo reunido, não estamos todos reunidos. Se isso fosse assim, eu acho que noventa e nove por cento das coisas que se fazem não se faziam”.

P - No concelho vizinho de Santa Comba Dão aguarda-se a construção do Museu do Estado Novo. Entre estes dois, qual é a prioridade do Sr. Ministro?
R - “Não se trata de nenhuma prioridade, nem nada disso, ninguém me falou em museu nenhum. Isto é, eu diria, um imperativo humano, um imperativo histórico, um imperativo absoluto. Esta casa não se pode deixar neste estado. Por amor de Deus, é disso que estou a falar, queremos restaurar isto. É indispensável fazer isto”.

Lino Dias
http://www.faroldanossaterra.com/?p=10670
VER Sousa Mendes em ano de todas as eleições
Financiamento de projectos em PPP Lusofonia

2 comentários: